Num comentário hoje divulgado, com base na análise de uma amostra de 40 bancos europeus, a agência refere que Portugal, Itália e Espanha têm em média um custo do risco do crédito (evolução do risco de crédito para o qual os bancos criam provisões) de 85, 92 e 112 pontos, respetivamente, superior ao primeiro trimestre, mas que consideram “significativamente baixo” no contexto de contração do Produto Interno Bruto (PIB) destes países esperado para 2020 e do impacto da pandemia da covid-19 na economia.
No entanto, refere, o custo do risco do crédito “relativamente baixo destes países” também é influenciado pelas moratórias e outros apoios públicos relacionados com a pandemia e pelo fato dos empréstimos líquidos terem um forte crescimento no trimestre, uma vez que os bancos forneceram suporte de liquidez total para as suas economias, reduzindo, em média, o cálculo do custo de risco no segundo trimestre.
O crédito líquido cresceu 3% em Espanha, 4% em Portugal e 5% na Itália, “refletindo em parte a grande adesão por parte de bancos do Estado a crédito garantido pelo Estado para apoiar as economias destes países, e que também têm um tratamento regulatório preferencial, uma vez que são de risco zero ponderado para os bancos”.
Em relação ao crédito malparado (‘non-performing loans’), segundo a DBRS Morningstar, este não teve um crescimento significativo, o que é parcialmente explicado também pelas medidas adotadas pelos governos para prevenir a deterioração da qualidade dos ativos no atual contexto.
No final do primeiro semestre de 2020, os NPLs aumentaram 10%, em média, para a amostra de bancos europeus.
Todos os países, exceto Itália, Espanha, Bélgica, Finlândia e Portugal, sinalizaram níveis mais altos de NPLs no primeiro semestre em relação ao final de 2019.
Em Portugal, os NPLs diminuíram 5%.
A pandemia de covid-19 já provocou mais de 900 mil mortos e infetou mais de 27,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.
NR/HN/LUSA
0 Comments