Depois do bloqueio Timor-Leste espera assistir à retoma económica

30 de Dezembro 2020

Os esforços para garantir a retoma da economia timorense, fragilizada por vários anos de crise política e, em 2020, pelos efeitos da pandemia da covid-19, dominam a agenda em Timor-Leste para 2021.

O Produto Interno Bruto (PIB) do país recuou em três dos últimos quatro anos e o cenário mais otimista aponta a que as medidas do novo Plano de Recuperação Económica (PRE), a par de uma execução mais elevada do Estado (sem os constrangimentos do regime duodecimal com que viveu em 2020), ajudem a fazer crescer a economia mais de 3%.

Depois de o chefe de Estado, Francisco Guterres Lu-Olo, promulgar o Orçamento Geral do Estado (OGE), o VIII Governo terá, pela primeira vez desde o seu mandato, um ano com o executivo completo e todos os instrumentos orçamentais disponíveis.

Crucial para esse processo será saber se os três partidos do Governo – Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin), Partido da Liberdade Popular (PLP) e Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) – conseguirão trabalhar de forma coesa, intensificando a eficácia e a qualidade da execução orçamental.

A frágil economia privada e não dependente do Estado demorará tempo a recuperar – muitos investidores saíram e vários projetos estão parados – e, por isso, a situação em Timor-Leste dependerá em 2021 de como o Governo atuar.

Particularmente importante é o PRE que está parcialmente vertido nas medidas anunciadas pelo Governo e que, a serem concretizadas, farão mexer vários setores de atividade.

A concretização depende de uma crescente eficácia do Governo que continua, em vários aspetos, a mostrar muitas fragilidades estruturais e, em alguns casos, até devido à tensão interna no seio do executivo.

O programa de vacinação da covid-19 em Timor-Leste, com promessas internacionais de apoio, irá permitir a reabertura do país, que tem tido as viagens fortemente condicionadas.

Até lá o país deverá continuar com restrições nas entradas o que, em parte, está a causar dificuldades à mobilidade de timorenses e estrangeiros, a causar atrasos em projetos – pela falta de técnicos e outros – e a dificultar setores como o turismo.

Os dados apontam, igualmente, a um recuo do consumo privado, situação que só se deverá reverter se houver confiança na ação governativa e mais impulsos a setores como a construção, que tem estado praticamente paralisado.

Ainda assim, o ano arranca com as incógnitas sobre até quando o impacto da pandemia se continuará a sentir, condicionando aspetos como a migração de trabalhadores timorenses para outros países e até uma prevista visita ao país do Papa Francisco, adiada este ano.

Igualmente importante na agenda para 2021 é a questão do projeto do Greater Sunrise, no Mar de Timor, cujo consórcio é maioritariamente detido pela petrolífera timorense Timor Gap.

O calendário inicial apontava a que em 2021 se pudesse conhecer o modelo de desenvolvimento dos campos, ainda que o debate político interno em Timor-Leste, inclusive sobre a viabilidade do gasoduto e do desenvolvimento da costa sul, não tenha terminado.

A nível político a agenda deverá ficar marcada pela formalização de vários novos partidos políticos timorenses e por uma eventual conferência nacional – e posterior congresso – do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), de Xanana Gusmão.

Pela primeira vez, desde que nasceu, em 2007, o CNRT está na oposição e, por isso, a liderança do partido está a procurar consolidar a sua influência a nível local e regional.

É ainda possível que Xanana Gusmão surja como candidato presidencial às eleições de 2022, um cenário que se tem vindo a debater praticamente durante todo o ano de 2020.

NR/HN/LUSA

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