Prémio de inovação na saúde pode permitir novos voos a cientistas portugueses

29 de Janeiro 2022

O prémio de inovação em ciências da saúde promovido pela Bluepharma e pela Universidade de Coimbra (UC) pode significar novos voos e criação de valor aos projetos dos cientistas portugueses candidatos, defendeu o vice-presidente do grupo farmacêutico Sérgio Simões.

A quinta edição do prémio bienal está, atualmente, em curso – recebe candidaturas até 07 de março – mas o galardão, no valor de 20 mil euros, não se esgota em si mesmo e permite a possibilidade de um investimento adicional de 30 mil euros, por parte da farmacêutica sediada em Coimbra, no eventual desenvolvimento posterior do projeto premiado.

“Vir ao prémio pode significar modificar a atitude dos investigadores perante a ciência que estão a fazer e tentarem olhá-la numa lógica de ver onde podem criar valor com ela”, disse à agência Lusa Sérgio Simões.

O prémio, que começou, sempre em parceria com a UC, com uma versão destinada a premiar teses de doutoramento, ou seja, “o que já tinha acontecido”, evoluiu, a partir de 2013, para “um estímulo para desenvolver coisas diferentes” na área das ciências da saúde.

Por outro lado, continuou Sérgio Simões, “deixou de se focar num investigador, num autor, para ser numa equipa, num projeto”, a decorrer em universidades portuguesas ou estrangeiras, “mas coordenado por investigadores portugueses”.

Para tal, os promotores criaram um formulário de candidatura, onde os cientistas candidatos descrevem o seu projeto: “Descrevem a ideia, o que está feito e o que está por fazer, se há ou não propriedade intelectual registada, se há parcerias e se há um caminho para chegar à prova de conceito”, acrescentou o vice-presidente da Bluepharma.

Esta prova de conceito “pode ser um protótipo, um pequeno ensaio não-clínico ou até clínico, algo que demonstre, de uma forma um bocadinho mais inequívoca, o valor e a utilidade da descoberta científica em curso”.

“Logo no formulário estamos a estimular os potenciais candidatos ao prémio a olharem para as suas equipas, perceberem o que têm no seu trabalho científico que possa originar um produto, um serviço, algo que leve à criação de valor na área das ciências da saúde”, frisou Sérgio Simões.

Ultrapassada a etapa dos 20 mil euros, os vencedores têm então um ano para demonstrar que esta “pequena alavanca” monetária “permitiu chegar mais longe, fazer uma patente ou uma prova de conceito e que isso trouxe solidez e consistência para avançar para o passo seguinte e tentar um projeto com uma dimensão diferente, até constituir ou participar numa empresa, voar de outra maneira, a outra altura”, ilustrou Sérgio Simões.

Nessa altura, a Bluepharma “disponibiliza a segunda tranche de 30 mil euros”, resumiu.

O vice-presidente da farmacêutica portuguesa especializada em medicamentos genéricos lembrou que, nas quatro edições passadas, os projetos vencedores “sempre escolhidos por unanimidade” recaíram em grupos científicos “de alto mérito em Portugal” e geograficamente dispersos por Lisboa, Porto, Coimbra e Aveiro.

O júri inclui personalidades ligadas à investigação clínica, mas também ao empreendedorismo e investimento e é presidido pelo engenheiro civil Fernando Seabra Santos, ex-reitor da Universidade de Coimbra.

“Tentamos ter diferentes perspetivas ao olhar para um projeto, que seja analisado em vários ângulos e não apenas na componente científica ou tecnológica. E Seabra Santos traz um olhar fresco e uma visão de mundo, olha para as discussões com distanciamento, é uma figura ímpar e imprescindível”, argumentou Sérgio Simões.

Sobre a parceria com a Universidade de Coimbra, o vice-presidente da Bluepharma considerou a instituição universitária “uma fonte de talentos”, responsável por “uma parte importantíssima do sucesso” do grupo farmacêutico, nos 20 anos que este leva de “caminho”.

“A proximidade dos talentos é fundamental, tem um valor enorme”, enfatizou.

Sérgio Simões frisou ainda que existe “muito conhecimento, de enorme valor e de nível internacional” na UC, em áreas como as engenharias, ciências farmacêuticas, informática ou medicina, e que a Universidade é um parceiro “facilitador”.

À Lusa, Luís Simões da Silva, vice-reitor da UC para a Inovação e Empreendedorismo, destacou o “impacto” da associação da Universidade de Coimbra à Bluepharma, através do prémio e de outras parcerias.

“Há certamente pessoas que escolhem a Universidade de Coimbra e o transmitem, porque é uma Universidade que tem ‘links’ com empresas, facilita a inserção profissional no mercado de trabalho, possibilita experiências durante o próprio curso. E este não é só um prémio, é uma colaboração continuada com a Bluepharma, que tem múltiplas frentes e esta é apenas uma delas”, afirmou.

LUSA/HN

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