Açores quer criar lar residencial para doentes de Machado-Joseph em São Miguel

22 de Março 2022

O Governo Regional dos Açores quer criar um lar residencial para doentes de Machado-Joseph na ilha de São Miguel e reforçar a assistência ao domicílio a estes doentes, anunciou hoje o vice-presidente do executivo.

“Ao abrigo do Programa Operacional 2030, elaborámos uma proposta de um lar residencial e centro de dia especializado, para a Associação Atlântica de Apoio aos Doentes do Machado-Joseph, em São Miguel”, adiantou o vice-presidente do executivo açoriano, Artur Lima, que tutela a área da Solidariedade Social, numa audição na Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa dos Açores.

Artur Lima foi ouvido a propósito de uma petição que deu entrada no Parlamento açoriano, que reivindica “um cuidador a tempo inteiro, suportado pelas entidades públicas”, para “manter a segurança e dignidade destes doentes” e para que as famílias possam conciliar “a sua vida profissional com o apoio aos doentes”.

A doença de Machado-Joseph é uma doença neurodegenerativa do sistema nervoso, que causa falta de coordenação motora, alterações na fala, dificuldades de deglutição, dificuldades de locomoção, fraqueza nos membros e visão dupla, entre outros sintomas.

A maioria dos doentes reside nas ilhas das Flores e de São Miguel.

Segundo Artur Lima, o lar residencial e centro de dia especializado proposto, cujo projeto que ainda não foi aprovado pela União Europeia, “daria uma resposta mais cabal e mais próxima e podia libertar as famílias para a sua vida diária mais descansada”, na ilha de São Miguel, onde existem “cerca de 70 doentes” de Machado-Joseph.

“O que nos propomos fazer, em primeira análise, é aumentar a capacidade de assistência ao domicílio e também a capacidade de assistência institucional, com a criação de uma estrutura residencial”, salientou, acrescentando que também já foram feitos contactos para “aumentar a resposta” existente na ilha das Flores.

O vice-presidente do executivo açoriano afastou a hipótese de ser assegurado um cuidador particular para estes doentes, como reivindica a petição.

“Um cuidador particular, pessoal, eu vejo como muito difícil em qualquer das áreas, até por uma questão de equidade e justiça social, porque há muitas outras doenças incapacitantes”, explicou.

Artur Lima admitiu um reforço dos apoios existentes, adiantando que está a ser revisto o regime do cuidador informal.

“Pode, através do cuidador informal, aumentar-se o apoio domiciliário e pode, naturalmente, com uma IPSS [Instituição Particular de Solidariedade Social], como a Associação Atlântica de Apoio aos Doentes do Machado-Joseph, aumentar-se o apoio à fisioterapia, à terapia da fala, à estimulação cognitiva. Julgo que isso será possível melhorar”, apontou.

O vice-presidente do Governo Regional foi ouvido também em comissão sobre uma proposta do PS para que o Complemento Especial para o Doente Oncológico (CEDO) fosse alargado aos doentes transplantados.

Artur Lima propôs que fosse criado um “decreto legislativo regional mais específico para os doentes transplantados, que preveja algumas regras e algumas exceções” e que identificasse “quais os que são mais penalizados e mais afetados pela sua doença”.

“Incluir no CEDO, que é uma coisa específica parar o doente oncológico, um doente transplantado não faz sentido”, defendeu, alegando que nem todos os transplantados têm patologia oncológica.​​​​​​​

O governante considerou que a matéria “precisa de mais alguma reflexão”, para “não haver disparidades, nem iniquidades”, lembrando que há doentes que “depois do transplante fazem a sua vida normal”.

“Este assunto, com o respeito que eu tenho pelos doentes, merece ser mais bem estudado, bem aprofundado e talvez melhor enquadrado, mas não no CEDO”, frisou.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Descoberta Revolucionária: Novo Antibiótico Combate Gonorreia Multirresistente

Investigadores das universidades de Konstanz e Viena descobriram um novo antibiótico que ativa o mecanismo de autodestruição da bactéria Neisseria gonorrhoeae. Este avanço, publicado na Nature Microbiology, combate eficazmente variantes multirresistentes sem prejudicar outras células ou microrganismos.

Trabalho em Equipa Revoluciona Cuidados Primários para Doentes Crónicos

Um estudo da Universidade Hebraica de Jerusalém revela que o trabalho em equipa e sistemas proativos são cruciais para garantir acompanhamento médico regular a pacientes com doenças crónicas. A colaboração interdisciplinar melhora a adesão ao tratamento e os resultados de saúde

Estudo Revela Alta Prevalência de FASD em Escolas da Suécia

Um estudo piloto realizado na Universidade de Gotemburgo revelou que 5,5% das crianças suecas do 4.º ano escolar apresentam distúrbios do espectro alcoólico fetal (FASD). A pesquisa indica que os defeitos congénitos causados pelo consumo de álcool durante a gravidez podem ser tão comuns na Suécia quanto em outros países europeus

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights