Centro de Apoio ao Sem Abrigo do Porto cria SOS CASA para apoiar novos pobres

Mais de 100 famílias do Porto vítimas da crise económica provocada pela pandemia e da guerra na Ucrânia pediram recentemente ajuda ao Centro de Apoio ao Sem Abrigo (CASA) para receber um cabaz de comida, avançou hoje fonte oficial

“Já tivemos mais de 100 pedidos desde que o projeto SOS CASA iniciou”, conta Ana Salão, uma das coordenadoras do CASA do Porto, explicando que o novo projeto SOS CASA entrega um cabaz alimentar aos novos pobres da cidade do Porto, que contém “produtos não perecíveis, mercearia normal, fruta, legumes, carne e peixe”. Às vezes, o cabaz também leva “produtos de higiene” quando são solicitados.

Em entrevista à Lusa no âmbito do aumento de pessoas sem abrigo no Porto, Ana Salão explica que a par das cerca de 600 refeições que distribuem semanalmente na cidade portuense a pessoas em situação de sem-abrigo ou com carências económicas, a crise económica provocada pela pandemia da covid-19 e a guerra na Ucrânia empobreceram mais as famílias, e muitas delas estão atualmente a pedir para receber alimentos através do novo projeto SOS CASA.

“Temos algumas famílias para as quais entregamos os cabazes, mas até vamos de forma descaracterizada para que não sejam identificados no processo”, conta Ana Salão, salientando que apesar de essas famílias não estarem quantificadas “são cada vez mais”.

Inicialmente, as famílias que mais pediam ajuda eram pessoas desempregadas durante a pandemia e que trabalhavam em cafés, restaurantes, hotéis, designadamente cidadãos brasileiros a trabalhar sem contrato e que foram os primeiros a perder rendimentos.

Há, contudo, neste momento, um “leque muito diversificado de famílias” a precisar de apoio. Há famílias portuguesas, brasileiras, ucranianas e marroquinas a pedir ao SOS CASA. Para as famílias marroquinas, o cabaz é especial, pois aqueles cidadãos não comem carne de porco, por exemplo, explica.

As pessoas que estão em situação de sem-abrigo estão identificadas, mas existe “um sem número de famílias” a viver debaixo da chamada “pobreza envergonhada” e que também precisam de ajuda extraordinária, porque viram as suas situações profissionais alteradas com a pandemia e a guerra.

O SOS CASA serviu durante a pandemia para fazer face à distribuição de refeições por pessoas que, estando em confinamento, não tinham forma de obter as refeições, mas o projeto expandiu-se a outras áreas, desde logo na saúde, com a distribuição de refeições a pessoas com “doenças crónicas”.

“O SNS contactou-nos por casos de pessoas que têm doenças crónicas, que precisam de um tipo de refeição específica e que não tinham possibilidades para a adquirir e estavam a piorar, porque comiam aquilo que conseguiam arranjar” e, assim, a CASA começou a asseguras esses alimentos, semanalmente, através do “SOS Cabaz”

O SOS CASA serve “para quase tudo o que nos pedem” e que “não encaixa em nenhum dos outros projetos”, sintetiza Ana Salão.

“Através da nossa assistente social, também procuramos ajudar essas famílias, de forma a que se consiga fazer um estudo das condições (…). Se é preciso o Rendimento Social de Inserção (RSI), se é preciso pedir apoio social, a CASA faz também esse trabalho”, explica.

O número de refeições entregues semanalmente no Porto pelo Centro ronda as 600 refeições, o triplo das refeições em relação ao período pré-covid-19.

Antes da pandemia de covid-19, o centro distribuía, na Baixa do Porto, 180 refeições semanais a pessoas carenciadas.

NR/HN/LUSA

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado.

Share This