Assessores científicos prudentes perante risco do desconfinamento no Reino Unido

23 de Junho 2020

Os dois assessores científicos de Boris Johnson manifestaram hoje prudência e alertaram para o risco que envolve o fim do confinamento, naquela que foi a última conferência de imprensa diária do governo sobre a pandemia de covid-19. 

O assessor científico principal, Patrick Vallance, afirmou que o índice de contágio ‘R’ do coronavírus continua entre 0,7 e 0,9 e que a pandemia tem vindo a regredir no Reino Unido, mas lentamente.

“Não se enganem, não significa que ela desapareceu. A doença está a crescer em todo o mundo. Está a baixar no Reino Unido, mas não desapareceu”, vincou.

O diretor-geral de saúde de Inglaterra, Chris Witty, alertou para um risco de os casos de contágio voltarem a aumentar se as restrições que continuam em vigor não forem cumpridas.

“Para ser perfeitamente claro, é absolutamente crítico que todos os indivíduos, toda as famílias e todas as empresas levem estas precauções a sério. Se isso não acontecer, voltaremos a uma situação em que a transmissão começa a aumentar novamente”, vincou.

Os dois especialistas ladearam o primeiro-ministro, Boris Johnson, que esta tarde anunciou mais uma fase do plano de fim do confinamento a partir de 04 de julho, com a reabertura de bares, restaurantes e cabeleireiros.

Johnson anunciou a redução da regra de distanciamento social de dois metros para “um metro ou mais” nestes locais, que terão de adotar outras medidas, como o uso de painéis protetores, gel desinfetante e redução da capacidade.

Hotéis e outro tipo de alojamento turístico como parques de campismo, ginásios e parques infantis ao ar livre, cinemas, museus, galerias, parques temáticos, bibliotecas, salas de jogos e locais de culto também vão poder a abrir.

Mas espaços que exigem muita proximidade vão continuar fechados, como salas de concerto e teatro, discotecas, ginásios em espaços fechados, piscinas, parques aquáticos, estúdios de tatuagens e salas de bowling.

Segundo os dados do governo, de 19 para 20 de junho foram hospitalizadas 283 pessoas, comparando com um pico de 3.432 em 01 de abril, e 340 pacientes estão a ser ventilados, abaixo de um máximo de 3.301 registado a 12 de abril.

A média semanal de óbitos caiu de um pico de 943 a 14 de abril para 123 hoje e a de novos infetados baixou de 5.195 em 14 de abril para 1.147 hoje.

Nas últimas 24 horas, o Reino Unido registou 171 mortes, elevando para 42.927 o total acumulado durante a pandemia covid-19, o terceiro maior número a nível mundial, atrás dos EUA e Brasil.

Esta foi a 92.ª conferência de imprensa do governo sobre a crise, onde Boris Johnson apareceu regularmente acompanhado por Vallance e Whitty, e também a última.

“Vamos abrandar o ritmo destas conferências de imprensa porque continuamos a fazer progressos no controlo do vírus e queremos ter a certeza que temos algo importante para dizer”, justificou o chefe do executivo.

Os dados vão continuar a ser publicados diariamente, mas conferências de imprensa vão ser reservadas para circunstâncias importantes.

“Embora o vírus seja o mesmo e perigoso como sempre, estamos melhores a lidar com ele e isso deve dar mais confiança à medida que avançamos”, salientou.

LUSA/HN

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