Reino Unido aumenta período de isolamento para infetados de sete para 10 dias

30 de Julho 2020

As pessoas com sintomas de infeção de Covid-19 devem ficar isoladas durante 10 dias, em vez dos sete até agora aconselhados, determinaram esta quinta-feira as autoridades britânicas, perante o receio de uma nova vaga de casos no Reino Unido. 

O aumento do período de isolamento em três dias para pessoas com tosse contínua, temperatura alta ou perda de paladar e olfato passa assim a estar alinhado com as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciadas no início de junho.

A mudança é resultado de estudos que concluíram que o vírus pode ser transmitido mais tarde após a infeção do que se pensava e que o risco de contágio diminui após cerca de 10 dias.

“Os indícios, embora ainda limitados, reforçaram-se e mostram que as pessoas com Covid-19 que estão levemente doentes e estão a recuperar têm uma possibilidade baixa, mas real, de infecciosidade entre sete e nove dias após o início da doença”, justificaram os diretores gerais de saúde de Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, num comunicado conjunto.

A recomendação aos familiares ou contactos próximos da pessoa infetada vão manter-se inalteradas, devendo ficar em auto isolamento durante 14 dias, já que os sintomas podem demorar a surgir.

O anúncio acontece numa altura em que o número crescente de casos na Europa está a preocupar as autoridades de saúde do Reino Unido, que também enfrenta vários surtos no norte e noroeste.

Em Oldham, perto de Manchester, o número de casos de infeção quadruplicou numa semana, ultrapassando Leicester, e em Rochdale também subiram significativamente, levando à imposição de restrições locais.

Em declarações hoje à Sky News, o ministro da Saúde, Matt Hancock, disse estar “preocupado com uma segunda vaga” de infeções.

“É possível ver uma segunda vaga a começar a avançar pela Europa e temos de fazer tudo o que pudermos para impedir que ela chegue a este lado e enfrentá-la”, disse.

Na entrevista, o ministro não desmentiu a especulação de que a quarentena exigida aos passageiros que chegam do estrangeiro ao Reino Unido pode ser reduzida de 14 para 10 dias.

“Estamos sempre a ver como podemos reduzir o fardo das medidas que temos de implementar, e é algo em que estamos a trabalhar há algum trabalho, mas só vamos apresentar uma proposta quando estivermos confiantes de que é seguro fazê-lo”, vincou.

Cerca de 50 empresas do setor do turismo, incluindo companhias aéreas, aeroportos e agências, como British Airways, EasyJet, Heathrow e TUI, publicaram uma carta conjunta pedindo ao governo uma “abordagem mais subtil” das regras de quarentena, sugerindo a “introdução rápida” de corredores de viagem regionais em vez de restrições aplicadas a nível nacional.

O Governo britânico tem resistido às sugestões para fazer testes de diagnóstico aos passageiros que entrem no país devido à ineficácia da medida, pois o resultado pode ser negativo apesar de a pessoa estar infetada.

O Reino Unido registou até quarta-feira 45.961 mortes durante a pandemia Covid-19 em 301,455 casos de contágio confirmados.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Portugal, no documento “O Estado da Saúde Cardiovascular na União Europeia”: Baixa Mortalidade, mas Fatores de Risco Persistem

O relatório da OCDE “O Estado da Saúde Cardiovascular na UE”, tornado público hoje, analisa os padrões da doença na Europa. Portugal surge com uma mortalidade por doenças circulatórias das mais baixas do continente, um sucesso que se manteve mesmo durante a pandemia. No entanto, o país ainda enfrenta desafios significativos, como a gestão da diabetes, o consumo de álcool e a mortalidade prematura, especialmente entre os homens

Doenças cardiovasculares custam 282 mil milhões de euros à União Europeia

A União Europeia enfrenta um desafio significativo com as doenças cardiovasculares (DCV), que continuam a ser a principal causa de morte e incapacidade no território comunitário. Um relatório recentemente divulgado, antecedendo o lançamento do Plano Corações Seguros, revela que estas doenças são responsáveis por um terço de todas as mortes anuais na UE e afetam mais de 60 milhões de pessoas.

Universidade Católica Portuguesa lança curso pioneiro em Medicina do Sono Pediátrico

A Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa (FM-UCP) vai iniciar a primeira edição de um curso avançado dedicado ao estudo e prática clínica do sono na infância, uma formação pioneira em Portugal. O curso, que arranca a 16 de janeiro, será ministrado em formato b-learning e em inglês, com um carácter internacional.

Ordem dos Nutricionistas cria Fundo de Apoio à Formação para profissionais desempregados

A Ordem dos Nutricionistas lançou, pela primeira vez, um Fundo de Apoio à Formação destinado a apoiar os profissionais de nutrição que se encontrem em situação de desemprego. Esta iniciativa surge no âmbito do Dia do Nutricionista, celebrado a 14 de dezembro, e tem como objetivo possibilitar a aquisição de ferramentas que promovam uma prática profissional atualizada e baseada na evidência científica.

Doação de gâmetas: um gesto cada vez mais essencial para ajudar a construir famílias

A doação de gâmetas — óvulos e espermatozoides — assume hoje um papel crucial na concretização do sonho da parentalidade para centenas de pessoas em Portugal. As mudanças sociais, o adiamento da maternidade e paternidade e o aumento dos casos de infertilidade tornam este gesto altruísta cada vez mais necessário.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights