Ministério da Saúde condecora especialistas e instituições envolvidos no combate à pandemia

O Ministério da Saúde condecorou os especialistas que prestaram aconselhamento sobre a covid-19, o Núcleo de Coordenação do Plano de Vacinação e as instituições públicas envolvidas na resposta à pandemia, uma distinção já criticada pela Ordem dos Enfermeiros.

Os especialistas foram condecorados, segundo um despacho publicado hoje em Diário da República, com a Medalha de Serviços Distintos do Ministério da Saúde, grau ‘ouro’, “em reconhecimento de todo o aconselhamento técnico, em especial nas áreas da epidemiologia, saúde pública e ciências sociais, prestado ao Ministério da Saúde no contexto da resposta à pandemia de Covid-19”.

Foram distinguidos com esta condecoração 13 especialistas: Ana Paula Rodrigues, Ausenda Machado, Baltazar Nunes, Carla Nunes, Fátima Ventura, Henrique Barros, João Paulo Gomes, Manuel Carmo Gomes, Milton Severo, Óscar Felgueiras, Pedro Pinto Leite, Raquel Duarte e Válter Fonseca.

O despacho foi criticado pela Ordem dos Enfermeiros (OE), afirmando, em comunicado, que o Governo ignorou os médicos e enfermeiros “nas distinções pelo combate à pandemia”.

“A ministra da Saúde concedeu a medalha de ouro de serviços distintos do Ministério da Saúde a diversas personalidades e entidades, no âmbito do combate à pandemia da covid-19, mas deixou de fora os enfermeiros e os médicos”, lamenta a OE.

Além dos especialistas, o Ministério da Saúde reconheceu a relevância da campanha de vacinação contra a Covid-19, sublinhando que foi “um processo fulcral que permitiu conter a doença e proteger os sistemas de saúde no qual importa destacar o papel determinante da coordenação nacional e da coordenação regional”.

Em reconhecimento do papel desempenhado na condução da estratégia de vacinação seguida em Portugal, o ministério condecorou o Núcleo de Coordenação do Plano de Vacinação contra a gripe sazonal e contra a covid-19, na pessoa do coronel Carlos Penha Gonçalves, e as cinco Administrações Regionais de Saúde.

Além das ARS, foram também agraciadas instituições públicas pelo “papel fundamental” desempenhado na resposta dada ao combate à pandemia, nomeadamente a Direção-Geral da Saúde, a Administração Central do Sistema de Saúde e Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed).

O Instituto Nacional de Emergência Médica, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, os Serviços de Utilização Comum dos Hospitais e os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde foram outras instituições distinguidas.

A Ordem dos Enfermeiros lamenta que, apesar do Ministério da Saúde “reconhecer a relevância da campanha de vacinação, que esteve a cargo dos enfermeiros, não há qualquer referência a estes profissionais nem aos médicos”.

A OE ressalva que “não está em causa o reconhecimento das personalidades e instituições escolhidas, mas sim a ausência, uma vez mais, de uma palavra em relação aos enfermeiros”.

“É certo que os enfermeiros não vivem de palmas e reconhecimentos, como a OE tem alertado, mas não deixa de ser relevante e reveladora esta atitude do Governo, que repetidamente ignora os milhares de profissionais que, nas palavras do almirante Gouveia e Melo foram uma ‘classe sem mácula neste processo’”, afirma.

Em representação dos “milhares de enfermeiros”, a OE diz “não pode deixar de assinalar e condenar este silêncio”.

LUSA/HN

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