Ébola: Presidente do Uganda exclui hipótese de confinamento nacional

O Presidente ugandês, Yoweri Museveni, voltou a excluir hoje a imposição de um confinamento nacional para conter a propagação do Ébola, apesar de o país ter registado um aumento preocupante do número de casos no país.

Desde que o Ministério da Saúde declarou pela primeira vez um surto de Ébola no distrito central de Mubende, a doença propagou-se por todo o país da África Oriental, incluindo a capital, Kampala.

Mas o Presidente descartou quaisquer planos para um confinamento a nível nacional e apelou, em vez disso, aos residentes para “serem mais vigilantes” e a observarem as medidas postas em prática para controlar a propagação da doença.

“Não haverá CONFINAMENTO”. Portanto, as pessoas devem seguir em frente e concentrarem-se no seu trabalho sem se preocuparem”, disse numa mensagem partilhada na rede social Twitter.

O surto de Ébola já fez 49 vítimas mortais, de acordo com o Governo ugandês. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou na quarta-feira que o país registou mais de 150 casos confirmados e prováveis, com 43 mortes e 21 mortes prováveis.

O surto foi declarado em 20 de setembro e oito dias depois o Presidente Museveni disse que um confinamento a nível nacional “não era necessário”.

No mês passado, Museveni instituiu um encerramento em dois distritos – Mubende e Kassanda – impondo um recolher obrigatório noturno, que proibiu viagens e fechou mercados, bares e igrejas durante 21 dias.

Também ordenou à polícia que prendesse qualquer pessoa infetada com Ébola que se recusasse ao isolamento.

Na quarta-feira, a OMS manifestou preocupação após os primeiros casos de Ébola na capital ugandesa e apelou aos países vizinhos para aumentarem urgentemente o seu grau de preparação para a possível propagação do vírus.

O Uganda tem sofrido vários surtos de Ébola, o último em 2019. Atualmente não existe vacina para a estirpe do vírus Ébola, conhecida como a “estirpe do Sudão”, que se encontra atualmente no país.

No entanto, o Estado aguarda agora a distribuição de duas vacinas que se encontram na fase final dos protocolos para o estudo antes que a Autoridade Nacional de Medicamentos emita licenças de importação. As vacinas são de especial importância já que a estirpe do Sudão, que afeta o Estado, ainda não tem uma vacina com eficácia comprovada.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) juntou-se, entretanto, ao Ministério da Saúde de Uganda para apoiar os testes de vacinas contra o Ébola, devido ao surto desta doença no país.

O Ministério da Saúde nomeou o Instituto Pulmonar da Universidade Makerere para realizar ensaios clínicos de vacinas e terapias e será um investigador da instituição ugandesa a liderar o teste da vacina.

A Coligação para as Inovações para as Epidemias (CEPI) e a Aliança das Vacinas (Gavi) estão a dar apoio para garantir que doses suficientes de vacinas candidatas estejam disponíveis para teste.

O Ébola é uma febre hemorrágica viral frequentemente fatal. A doença tem o nome de um rio na República Democrática do Congo (RDCongo), onde foi descoberta em 1976.

A transmissão humana dá-se através de fluidos corporais, sendo os principais sintomas a febre, vómitos, hemorragia e diarreia.

NR/HN/LUSA

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