Ex-ministra da Saúde francesa indiciada por “pôr em perigo a vida de outrem”

11 de Setembro 2021

A antiga ministra da Saúde francesa Agnès Buzyn, que se demitiu em fevereiro de 2020, no início da pandemia de covid-19, foi hoje formalmente acusada de “pôr em perigo a vida de outrem” pela sua gestão da pandemia.

Agnès Buzyn foi indiciada no final da sua audição por magistrados do Tribunal de Justiça da República (TJR), que está a investigar a forma como tem sido gerida em França a pandemia causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, indicou o procurador do TJR.

A ex-ministra é a primeira figura pública a ser implicada neste vasto caso dedicado ao modo – ainda hoje criticado – como as autoridades francesas anteciparam e depois geriram diariamente a pandemia que fez pelo menos 115.000 mortos no país, segundo o sistema nacional de saúde francês.

A antiga governante obteve, além disso, o estatuto mais favorável de testemunha auxiliar por “abstenção voluntária de combater um desastre”, indicou a mesma fonte.

Logo no início de 2020, Agnès Buzyn, hematologista de formação, desempenhava um papel fulcral, dirigindo o Ministério da Saúde.

Depois de ter abandonado o Governo para se candidatar à câmara municipal de Paris nas eleições autárquicas, Buzyn desencadeou protestos ao declarar à imprensa, em março de 2020, após a sua derrota, que o processo eleitoral deveria ter sido suspenso devido à ameaça da pandemia.

Desde então, diversas queixas – falta de equipamento de proteção para os profissionais de saúde e para a população, equívocos sobre a necessidade ou não de usar máscaras, etc. – foram apresentadas junto do TJR, que abriu um inquérito em julho de 2020 sobre a infração de “abstenção de combater um desastre”.

“É uma excelente oportunidade para eu me explicar e repor a verdade dos factos. Não deixarei que seja denegrida a atuação do Governo, a minha atuação enquanto ministra, quando fizemos tanto para preparar o nosso país para uma crise de saúde global que, recordo, ainda dura”, declarou Buzyn esta manhã aos jornalistas ao chegar à sede do TJR.

LUSA/HN

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