Número de pedidos de ajuda alimentar em Espanha aumenta

Organizações não-governamentais e bancos alimentares de várias cidades espanholas alertam que o pedido de alimentos por parte de pessoas necessitadas está a aumentar, depois do aumento quase 14% nos preços dos bens de primeira necessidade.

Em Espanha, produtos como o azeite, ovos, leite ou carne de frango podem atingir ou ultrapassar aumentos de 20%.

De acordo com os organismos humanitários, a situação está a agravar-se porque ao mesmo tempo verifica-se, desde o início do ano, uma descida no número de doações de alimentos.

Em Madrid, o Banco Alimentar notou, antes do verão, a diminuição do número de doações que correspondem, atualmente, a menos 40% em relação aos meses antes do início da guerra na Ucrânia (fevereiro), disse à Efe uma porta-voz do organismo da capital espanhola.

O número de refeições diárias também aumentou desde o começo do verão, segundo os registos do Banco Alimentar, passando de 186 mil para 187 mil na Comunidade de Madrid.

As entidades que colaboram com o Banco Alimentar madrileno referem também o aumento progressivo de pessoas que pedem refeições todos os dias, porque os ordenados “não chegam ao final do mês”.

Em Barcelona também aumentaram as filas nos 17 refeitórios sociais da cidade que em 2021 distribuíram 536 mil refeições a 13.158 pessoas necessitadas ou sem-abrigo.

Durante o verão chegou a verificar-se uma rutura no abastecimento de produtos alimentares, apesar de ter aumentado o número de voluntários nos refeitórios sociais da capital da Catalunha.

No hospital de campanha da paróquia de Santa Anna, Barcelona, foram distribuídas sete mil refeições nos meses de julho e agosto de 2021 sendo que o número aumentou para dez mil em igual período em 2022.

De acordo com os responsáveis, com a situação da crise sanitária (covid-19) normalizada e depois do fim das restrições a previsão era que o número de pessoas que recorrem aos serviços de ajuda pudessem diminuir para os níveis de 2019 mas aumentaram por causa das consequências sociais e económicas da pandemia e da guerra na Ucrânia.

As entidades sociais de Barcelona preveem que em 2022 vão ser servidas mais refeições nos refeitórios sociais porque se verifica um aumento de pessoas sem-abrigo e por causa do aumento dos preços dos alimentos.

No caso de Múrcia, o aumento dos preços dos produtos alimentares do cabaz de compras básico modificou o “perfil” das pessoas que pedem ajuda pela primeira vez, disse à agência Efe, Daniel López, da Fundação Jesus Abandonado que fornece alimentos e refeições a quem precisa.

Segundo López, aumenta o número de famílias, e não de pessoas sem-abrigo, que procura ajuda da organização na obtenção de alimentos em Múrcia.

Em Córdova, o Banco Alimentar que distribui em média 350 toneladas de alimentos por mês a entidades na cidade da Andaluzia refere que os próximos meses vão ser “complicados”.

A inflação está a provocar um aumento significativo da procura e, por isso, a entidade de Córdova acumulou alimentos em julho e agosto estimando que no outono e no inverno vai aumentar o número de pessoas “mais vulneráveis”.

A mesma situação verifica-se também em Granada onde o Banco Alimentar enfrenta atualmente um aumento da procura que já atinge valores semelhantes aos que se verificaram durante o pico mais elevado da pandemia de SARS CoV-2.

Paralelamente, o número de doações – em produtos e dinheiro – diminuiu.

“Antes, o dinheiro que recebíamos permitia encher um cabaz com dez produtos, agora só conseguimos seis”, disse à Efe um funcionário do Banco Alimentar de Córdova.

Na cidade da Andaluzia, em 2021 foram atendidas 39.680 pessoas mas este ano o número já atingiu as 45 mil pessoas necessitadas sendo que os aumentos nos preços da eletricidade e do gás também estão a afetar a situação, acrescentou o mesmo responsável.

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